A Paz

Gilberto da Costa Valle

Vivemos num tempo de agitação. Tempo de conflitos, de aflições, "de guerras e de rumores de guerras". E eis que todo mundo deseja encontrar a paz, a tão sonhada paz.

Mas, o que é a paz ? Seria a tranqüilidade, advinda do conforto material ? Seria a segurança, provinda da conquista do poder transitório dos homens? Ou seria a estabilidade, adquirida na aquisição das riquezas terrenas?

Não meus amigos, a paz não se resume em situações transitórias. Na verdade todo conforto, todas as conquistas, todas as riquezas do mundo são insuficientes para garantir a paz interior, tão desconhecida na Terra.

A paz traduz sim conforto, segurança e estabilidade, mas não material, e sim espiritual. Reflete a harmonia dos sentimentos, alcançada ao preço de inumeráveis experiências, infindáveis lutas,...

Poderíamos distinguir então, a paz do mundo, transitória, fugaz, que muitas vezes, reflete a indiferença pelos problemas por que passam os semelhantes e a paz do Cristo, profunda e constante, estável e definitiva, que sempre reflete a serenidade íntima, alcançada no cumprimento do dever, na busca constante do bem estar individual e coletivo, todavia, um bem estar espiritual, mais que físico.

Quando alguém está em paz consigo mesmo, poderá se encontrar num ambiente perturbado pela agitação de todos, que não perderá seu estado de espírito, em harmonia com a Lei de Deus. Por outro lado, se não temos paz conosco mesmo, de nada adiantaria sermos guindados ao Céu, porque mesmo lá nos sentiríamos intimamente aflitos, intranqüilos.

O Cristo, em sua inesquecível passagem pela Terra, é o mais retumbante exemplo da Paz. Mesmo vivendo rodeado pelos conflitos humanos, sendo constantemente perseguido, incompreendido, agredido; assistindo a todo instante o triste espetáculo de nossas fraquezas, de nossos erros, o Mestre jamais perdeu a Paz de Espírito, nunca deixou escapar a serenidade íntima. Nos momentos em que agira com energia extrema, assim o fizera com profundo equilíbrio, e nos momentos de intensa dor, padecera com extrema resignação, refletindo a segurança que lhe ia na alma.

E é justamente o Cristo, quem pode nos fornecer a paz que tanto anelamos. Ao contato de seus sublimes ensinos, a alma se enche de energia para as lutas da vida, as lutas que nos conferem a paz. Ele mesmo nos prometeu conceder a paz: "Deixo-vos a paz, a minha paz voz dou: não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize."

Confiar em Jesus é crer no poder do bem. Esta confiança nos confere paz, imensa paz. Não há razão para temores, porque tudo se resolverá com o trabalho do bem. Não há motivos para perturbação, porque todos os problemas encontram solução na esfera do entendimento cristão. Então, mesmo num mundo, onde a guerra ainda persiste, perturbando a paz coletiva, ser-nos-á possível já, desfrutar a paz do coração, fortalecido no amor de Cristo; a paz de consciência, edificada no labor cristão.

A todos desejo muita paz, assim como a desejo para mim mesmo. Que o Cristo no-la conceda,...

(Publicado no Boletim GEAE Número 447 de 24 de dezembro de 2002 )