As Irmãs Fox, Connan Doyle e o Espiritismo Brasileiro

Jáder Sampaio

Conclusão do artigo iniciado no Boletim 453

O Papel das Irmãs Fox para o Espiritismo Brasileiro Contemporâneo

Creio ter sido exaustivo na exposição de motivos, fatos e documentos, apesar de não ter tido acesso a fontes primárias. Mesmo assim, cabe mais uma análise o comentário da repórter brasileira. Qual o papel das irmãs Fox para o Espiritismo brasileiro?

O lugar histórico das irmãs Fox para o movimento espírita e o chamado “modern spiritualism” norte-americano e europeu foi o de pessoas cuja faculdade se tornou notória e atraiu a atenção da sociedade e da academia, gerando um volume enorme de estudos, pesquisas e discussões. Elas são um marco arbitrado pelos escritores de história do Espiritismo para iniciar sua descrição de um movimento social do século XIX. Ainda que fossem uma fraude completa, o que creio ter discutido suficientemente com base no trabalho de Conan Doyle e de outros autores, o Espiritismo brasileiro hoje não é um corpo de doutrina que tem por base as comunicações dos espíritos que se manifestavam por intermédio delas. Pelo contrário, Kardec teve o bom senso de trabalhar com múltiplos médiuns, de grupos e países diversos, e de não propor verdades absolutas, legando-nos uma mentalidade crítica. Temos acesso e estudamos obras produzidas em diferentes pontos do globo, escritas por estudiosos, obtidas pela via mediúnica ou resultado de pesquisas conduzidas em academias.

Sua contribuição, portanto, não exige que as idealizemos, ou as transformemos em heroínas, ocultando seus defeitos, mas que as compreendamos como pessoas que dentro de suas fragilidades e limitações, enfrentaram a intolerância de uma época e deram uma contribuição importante para que hoje pudéssemos ter acesso a tantas sociedades e grupos organizados, preocupados em entender o significado dos fenômenos espirituais.

Fontes Bibliográficas

(Publicado no Boletim GEAE Número 455 de 13 de maio de 2003)