Educação Infantil

André Luiz Almenteiro Rodrigues Rabello

Uma das mais relevantes questões dos dias contemporâneos, a educação da criança sempre mereceu de inúmeros profissionais tanto da área pedagógica como do campo da psicologia infantil uma atenção especial. Inúmeros especialistas têm doado as suas melhores forças no intuito de idealizar uma filosofia educacional que possa atender de forma plena a todas as necessidades emocionais do ser em formação da personalidade e propiciar-lhe o sustentamento intelecto-moral, para que possa tornar-se um cidadão pleno, consciente de seus direitos e de seus deveres para com a sociedade.

Inúmeras obras e tratados já foram escritos, nunca em nenhuma época se realizaram tantos congressos, simpósios e encontros para discutir a educação infantil em suas várias facetas. Porém, nota-se que, a cada dia que passa, todos os preceitos para uma educação saudável são destruídos pelos conceitos de um hedonismo exacerbado que hoje predomina em a sociedade.

A filosofia hedonista foi pela primeira vez idealizada por Aristipo de Cirene, discípulo de Sócrates, no século V antes de cristo. A palavra hedonismo se deriva da palavra grega hedone, que significa prazer. Então, o hedonismo se caracteriza por uma filosofia de vida cujo objetivo primacial seria a busca do prazer individual pelo ser humano.

Porém, apenas o conceito genérico do hedonismo não é suficiente para explicá-lo de forma completa. Isso ocorre porque o significado de prazer pode ser desdobrado de diversas formas.

O que é prazer, afinal? Genericamente, pode-se dizer que tudo aquilo que é bom dá prazer. Mas será que é só isso?

Na sociedade atual podemos perceber que o prazer que é sempre buscado é o prazer imediato, aquele que não necessita de nenhum esforço para ser conseguido, que satisfaz de forma rápida. Seria o prazer sexual, o prazer de ter sempre aquilo que se deseja sempre, o prazer do estômago abarrotado, o prazer do repouso longo, o prazer do vício. Então, pela teoria hedonista, a problemática humana estaria resolvida no sentido de doar-se de forma integral a esses prazeres, encarcerando-se os homens na jaula das sensações.

Porém, o que vemos é que essa forma de vida não trouxe ao homem a felicidade que a filosofia hedonista pregava. Os prazeres aos quais se entrega geralmente têm duração curta e, quando se exaurem, criam-se anseios por atingir um patamar mais elevado desse prazer. Com isso, há uma entrega total e irrestrita a sensação que causa prazer, só que essa busca se revela nula, pois não se consegue atingir a felicidade almejada, pois esses prazeres apenas criam vontade de sentir algo mais que aquele prazer não pode dar. Com isso, o homem cai em comportamentos depressivos e neurotizantes que lhes destrói a vida e todas as aspirações de progresso, já que busca algo que não existe.

É como se fosse a sede da água do mar. Pode -se bebê-la em abundância, porém, como está repleta de cloreto de sódio, quanto mais se consome, mais sede ela causa, pois a pessoa que a bebe não consegue atingir o seu objetivo, que é saciar a sua sede. A permanecer nesse ato, apenas aumentará a sede, o que lhe fará beber mais da água salgada e sentir mais sede. E seu martírio jamais cessará.

Então, onde está a felicidade proporcionada pelo prazer que o hedonismo prega ? Simples. O prazer não se resume apenas as manifestações fisiológicas, efêmeras que não plenificam. O prazer se encontra na emoção profunda do ser. A emoção que alguém sente ao ler o lindo Soneto da Fidelidade, do grande Vinícius de Morais.A sensação de tranqüilidade quando ouvimos A linda Moonlight sonate, de Beethoven. A boa sensação de ler uma obra de Machado de Assis. E o prazer sentido em ajudar alguém, em ver alguém que gostamos muito galgando os degraus altos do sucesso, o prazer de ver alguém que amamos chegar perto de nós. E quantos outros poderíamos citar !

Esses prazeres são o motivo da vida, é por eles que devemos procurar sempre e não o prazer da sensação que proporciona minutos de felicidade mas períodos longos de amargura, nesta vida e na outra.

Agora é justo que os leitores perguntem o que isso tem a ver com a educação infantil.

Tudo a ver. Sabemos que no período da infância o espírito está iniciando o trabalho de reencarnação e por isso possui o cérebro muito sensível, guardando nele as impressões que lhe são incutidas pelos pais e pela sociedade. Por isso, quando vemos que os projetos educacionais estão voltados para preparar o ser para viver no mundo alucinante das sensações desordenadas, é óbvio que se aposse de todos os pais interessados na felicidade dos filhos uma preocupação natural.

Vemos que a criança só é educada para entender o seu corpo de forma superficial e para encaixar-se na sociedade como um elemento a mais, sem consciência do que pode lhe fazer mal ou bem, sem saber que valores preservar e quais aqueles que devem ser abandonados. Com isso, quando adolescente, não sabe administrar as mudanças que se operam em sua psicologia e, aturdidas pela irrupção vulcânica dos conteúdos liberados pelo inconsciente, se atordoa e, não raro , se entrega ao culto do prazer alucinante, pois não tem estrutura para aspirar algo mais sublime, por não ter conhecimento sobre os intricados mecanismos que lhe regem a maquinaria orgânica.

Com isso, vemos que e filosofia educacional hodierna precisa ser modificada. Para isso precisamos de um conjunto de idéias que nos auxilie a educar os pequeninos visando a felicidade plena destes.

Nesse momento surge a doutrina espírita para nos ajudar, e dizer-nos, que devemos enxergar o educando de forma integral, não apenas o corpo físico, mas também como realidade espiritual. Deve-se ensiná-la, desde pequena, os ensinamentos do evangelho, o maior código moral que a humanidade tomou conhecimento até hoje. Daí a necessidade da evangelização infantil, como meio de propiciar a criança bases sólidas de comportamento e uma visão otimista da realidade. E, com o auxílio dos pais, que devem exemplificar para os filhos como se deve viver de acordo com que ensina o evangelho, chegará a adolescência sabendo que direcionamento deve empregar a sua vida, saberá o que veio fazer na terra, aceitar os problemas e, como foi educada em bases de amor, não precisará recorrer ao tabagismo, ao álcool, as drogas, ao sexo desvairado para encontrar felicidade,. Pelo contrário, canalizará suas energias para as expressões celestiais da vida, pois saberá conquistar a verdadeira felicidade, perseverando sempre, lutando para domar as mais inclinações e progredir sempre.

Portanto, é papel dos pais, dos evangelizadores e de todos os profissionais da área infantil ensinar as nossas crianças o caminho da ventura, impedindo que ela caia nos abismos da ilusão e que, quando adulta, possa caminhar com segurança rumo a Jesus

André Luiz Almenteiro Rodrigues Rabello é membro do Grupo Espírita André Luiz, no Rio de Janeiro

(Publicado no Boletim GEAE Número 379 de 11 de janeiro de 2000)