A Escola Espírita

Marcus Alberto De Mário

Como deve ser a Escola Espírita?

Como trabalhar o currículo à luz da filosofia espírita da educação?

Essas e outras perguntas são normalmente lançadas em seminários, cursos e palestras, pois a Escola Espírita ainda não está consolidada.

Vamos deixar de lado as preocupações de ordem administrativa, de legislação, para oferecermos algumas orientações quanto à filosofia e ao trabalho da Escola Espírita.

  1. A Escola Espírita deve preservar as crianças e adolescentes das deturpações da sociedade moderna, com as inversões dos valores da vida, fazendo com que os educandos compreendam e se estimulem pela conquista dos valores morais imperecíveis.
  2. A Escola Espírita deve concorrer para o saneamento da sociedade materialista, integrando-se na comunidade para influenciá-la e regenerar sua estrutura.
  3. A Escola Espírita deve ser um ambiente comunitário ideal, dirigida por pessoas equilibradas, onde reine a união, a cooperação e a fraternidade.
  4. A Escola Espírita deve restaurar os valores culturais e morais, resgatando o processo histórico de desenvolvimento do homem, promovendo as potencialidades do espírito reencarnado (o educando).
  5. A Escola Espírita deve descondicionar os educandos dos preconceitos de toda ordem.

Na Escola Espírita, a escola que verdadeiramente educa, pois trabalha a educação de forma integral, promovendo a auto-educação do educando, a família estará sempre presente, integrada a todo o processo educacional. Será a própria Escola Espírita uma grande família.

A educação espírita tem por finalidade formar o puro espírito, o espírito perfeito, levando em conta que o educando é um espírito reencarnado, e esse trabalho depende da Escola, e mais propriamente da Escola Espírita, a única que trabalha a educação moral, a formação do caráter, as potencialidades do espírito imortal.

Se as escolas atuais fossem escolas espíritas, a humanidade já estaria espiritualizada.

Para nossa profunda meditação, ouçamos Vinícius, no capítulo 33 do livro O Mestre na Educação, a respeito das gerações futuras:

"As gerações futuras não serão diferentes da presente, com todos os seus defeitos e prejuízos de ordem moral, se não tratarmos da educação da infância e da juventude; dessa juventude que será a sociedade de amanhã.

Jesus disse que não se põe remendo de pano novo em roupa velha, por isso que a rasgadura se tornará maior. E, igualmente, não se põe vinho novo em odres velhos, porque estes não resistem à sua fermentação, e se rompem.

É claro que o Excelso Mestre se refere, nesta alegoria, à natureza do ideal que propagava, do qual era a viva encarnação. Esse ideal novo, reformador, quase revolucionário, revestido pela Terceira Revelação, deve ser anunciado, de preferência à juventude, às crianças, porquanto estes elementos representam a terra virgem, aberta à boa sementeira. Semear no meio de abrolhos e semear em terreno isento de ervas daninhas hão de dar resultados bem diversos. As messes, de uma e de outra, dessas culturas, serão, por certo, distintas, dizendo por si mesmas qual delas é a mais vantajosa.

E, meus amigos, até agora, não temos feito outra coisa senão semear no meio de cardos, remendar roupa velha com pano novo e deitar o vinho espumante da vindima espírita em odres carunchentos, incapazes de suportar a sua fermentação.

Educar é salvar, é remir, é libertar; é desenvolver os poderes ocultos, mergulhados nas profundezas das nossas almas.

(...) O objetivo máximo do Espiritismo (...) é educar para salvar. Iluminar o interior dos homens para libertar a Humanidade de todas as formas de selvageria; de todas as modalidades de crueza e de impiedade; e de todas as atitudes e gestos de rivalidade feroz e deselegância moral. Esta conquista diz respeito ao sentimento, ao senso religioso, que os homens do século perderam, ou melhor, que jamais chegaram a possuir".

Não dissemos em nenhum momento que a Escola Espírita irá ensinar Espiritismo, e isso porque essa tarefa não lhe compete, não lhe diz respeito.

A Escola Espírita educa através do Espiritismo, ou seja, através de sua filosofia, de seus princípios, mas não ensina Espiritismo.

Pode e deve permear em seu projeto pedagógico, nas diretrizes de seu currículo, os princípios espíritas, mas sem a preocupação de ensinar Doutrina, o que compete ao Centro Espírita.

Embora a Escola Espírita seja considerada pela legislação como escola confessional, isso se deve pelo seu norteamento filosófico-religioso, e não porque irá manter aulas ou mesmo disciplina de Espiritismo, pois o objetivo é a formação do homem de bem, a espiritualização e moralização do ser, e não a formação doutrinária, o que o educando promoverá através de decisão própria, decisão de foro íntimo e a ser realizada no local apropriado, no caso do Espiritismo, no Centro Espírita.

Os cinco itens apresentados são mais concernentes de avaliação quanto ao projeto de uma Escola Espírita, do que a discussão sobre aula de religião, mesmo porque, como bem disse Vinícius, a formação das gerações futuras para um mundo melhor depende do trabalho da educação, e somente a educação espírita ministrada na Escola Espírita poderá nos dar uma geração transformada, sintonizada com Jesus.