Restauração

Paulo Alves de Godoy

O Espiritismo representa a restauração dos lídimos ensinamentos ministrados por Jesus Cristo, quando de sua peregrinação terrena, pois, o Mestre dizendo que "não poderia dizer muitas outras coisas, porque os homens não estavam preparados para assimilá-las", deixou aberta a porta para ensinamentos ou elucidações posteriores, ou seja, para uma nova revelação.

O Mestre, reiteradas vezes, falava por parábolas, porque o povo de então não suportaria ensinamentos que viessem solapar, de súbito, toda a velha estrutura religiosa então vigente. "O ôdre velho não suportaria o vinho novo" e a sua ruptura causaria mais mal do que bem. Esse imperativo da época levou o Mestre a empregar imagens interessantes com o fito de dar tempo ao tempo, permitindo a germinação da semente generosa que ele estava semeando, pois ela, de forma alguma, deveria ser extirpada, extemporaneamente, da terra onde estava sendo lançada.

O Espiritismo veio, pois, na época adequada a fim de remover da árvore do Cristianismo, o emaranhado que tolhia o seu desenvolvimento. Veio para extirpar da doutrina cristã as exterioridades, as ramagens que ali se aconchegaram no decurso dos séculos e que já não tinham razão de por mais tempo ali permanecer, uma vez que a revelação feita por Jesus Cristo não poderia permanecer, de forma infinita, sujeita aos interesses humanos que retardavam-lhe a marcha avassaladora deixando, de empolgar toda a humanidade.

O Espiritismo é a restauração do Cristianismo e a sua finalidade precípua é de fazer sobressair a subtileza dos ensinamentos do Cristo, extirpados da letra que mata e alentados tão-somente pelo espírito que vivifica.

(Jornal Mundo Espírita de Outubro de 1997)