Brincadeiras

Orson Peter Carrara

Vez por outra nos chegam notícias sobre as chamadas "brincadeiras do copo" ou "dança dos compassos". Usado por curiosos e despreparados ao uso da sublime faculdade mediúnica, são práticas não recomendáveis para o inter-câmbio com os espíritos, pois que fogem da sadia orientação espírita por vários motivos:

  1. atraem espíritos brincalhões, irresponsáveis e muitas vezes mal intencionados. Sugiro ao leitor uma breve consulta à ESCALA ESPÍRITA, itens 102 a 106 de O LIVRO DOS ESPÍRITOS;
  2. nada produzem de útil e criam vinculações nada recomendáveis com os espíritos envolvidos;
  3. impressionam pessoas despreparadas ou impressionáveis;
  4. transmitem errado conceito sobre a Doutrina Espírita e o intercâmbio com os espíritos, que nada tem a ver com essas práticas.

Tudo isso, principalmente em função da acurada observação trazida por Allan Kardec na obra O QUE É O ESPIRITISMO, capítulo II, item 2. Pondera o Codificador que aqueles que não conhecem o Espiritismo, imaginam que se produzem fenômenos espíritas como se faz em experiências de física e de química. Daí sua pretensão em os submeter à sua vontade, e a recusa de se colocar nas condições necessárias para a observação. Não admitindo, em princípio, a existência e a intervenção dos espíritos, ou pelo menos não conhecendo sua natureza, nem seu modo de ação, eles agem como se operassem sobre a matéria bruta; e do fato de não obter o que procuram, concluem que não há espíritos.

Colocando-se em um outro ponto de vista, compreender-se-á que os espíritos, sendo a alma dos homens depois da morte, nós mesmos seremos espíritos, e que estaríamos pouco dispostos a servir de joguete para satisfazer as fantasias dos curiosos. O Espiritismo não sobe aos palcos, não é espetáculo para curiosos. Portanto, está distante de práticas que violam os conceitos da ética, do bom senso, do respeito que toda criatura humana merece. E os espíritos são criaturas humanas, ainda que fora do corpo. Mantém saber ou ignorância, bondade ou más intenções. Trabalham ou são ociosos. E como seres pensantes esperam de nós, não importando a situação em que se encontram, respeito e atenção, orientação ou ajuda para superarem as dificuldades que vivem (no caso de espíritos desorientados - como os há também entre os homens encarnados ), ao invés de serem explorados ou desrespeitados pela curiosidade e busca irresponsável.

Por isso, antes do contato ou intercâmbio com os espíritos, melhor conhecer as ideais condições para isso acontecer com segurança e objetivos para o bem de todos. Conhecimentos que nos farão compreender porque nem sempre os que se foram manifestam-se com seus entes queridos. Muitas vezes não conseguem, outras vezes não obtém permissão, em algumas situações não encontram condições ideais e na maioria das vezes não desejam vir. Em alguns casos estão distantes e muitas vezes aguardam a própria vez.