Nosso pão amargo de cada dia

Domério de Oliveira

de São Paulo, SP

Não há dúvida, nas grandes cidades, como nesta desvairada Paulicéia, vivemos dias de altos níveis de insegurança. A criminalidade vai tomando conta amplamente das ruas e dos logradouros públicos. Já não desfrutamos a mínima parcela de tranqüilidade.

Infelizmente, nenhum governante ainda colocou em prática as idéias veiculadas nas suas campanhas eleitorais. Eles nos prometeram segurança, bom policiamento, mas, infelizmente, continuamos na mesma, sem quaisquer das providências que Eles nos afiançaram. Assim, cada seqüestro ou assassinato brutal, organiza-se uma passeata ou um protesto, mas, tudo continua - "como d’antes no quartel de abrantes". Elaboram-se projetos de lei prevendo penas severíssimas para os criminosos, são apresentadas sugestões de prisão perpétua o de pena de morte, enfim, a cada momento de trauma coletivo as pessoas se lembram de propor alguma coisa, mas logo se esquecem ou desistem e os governantes mudam de assunto antes de chegar a uma conclusão.

Já dissemos, em outras crônicas, que para os crimes hediondos, seus autores deveriam ser condenados, não à pena de morte, mas à pena de prisão perpétua, com trabalhos forçados. No cumprimento desta pena, o criminoso teria a oportunidade de reeducar-se e de regenerar-se. E, mediante o trabalho forçado, iria tirar da própria terra o alimento para a sua própria manutenção. Sim, meus amigos, o trabalho duro, prolongado, quotidiano, por certo, afasta do delinqüente três males capitais: o vício, o tédio e a necessidade. Também, o trabalho é elemento de educação para o Espírito.

Infelizmente, se refletirmos melhor, sentimos que as verdadeiras raízes da criminalidade, em nosso País, não partem de baixo para cima, mas brotam de cima para baixo. Recentes fatos, proclamados pela nossa imprensa, mostram as redes de corrupções que se instalaram nas administrações públicas. Como diz um velho ditado: "onde há fumaça, há fogo". E, quando a criminalidade se instala nos Poderes do Estado, torna-se impossível combatê-la nas instâncias inferiores. Se as pessoas incumbidas de chefiar órgãos públicos são as primeiras a transgredir a lei, cometendo crimes de prevaricação, peculato, corrupção, concussão e chegando, por vezes, ao homicídio para ocultar provas e eliminar testemunhas, não há como impor limites ao restante da população. Como diz, também, um outro velho provérbio: "o exemplo vem de cima".

Então, meus amigos, podemos atribuir tudo isso, toda essa podridão social, à uma única coisa:

"A FALTA DO EVANGELHO DE CRISTO NOS CORAÇÕES"

Não adianta combatermos os efeitos, mas temos, antes de tudo, que combatermos as causas. Já sustentam os velhos Mestres das Arcadas: "Sublata causa tollitur effectus". (vamos traduzir: "removida a causa, desaparece o efeito").

Nós que enxergamos, um pouquinho mais, devemos de estabelecer um trabalho rígido para modelarmos as criaturas, principalmente as crianças e os jovens, dentro dos parâmetros do Cristianismo. Todos nós, que acalentamos as Verdades do Mestre, sejam Espíritas, Católicos ou Protestantes, devemos entrelaçar as nossas mãos e, sob o império vivo da Fé, unamos as nossas palavras, unamos os nossos corações e as nossas energias, para que possamos erguer um verdadeiro Dique às correntes impetuosas do mal que ameaçam solapar e até mesmo derrubar as bases morais da nossa sociedade. Sim, meus amigos, essas correntes são passageiras e os Espíritos encarnados que os impulsionam poderão escapar da justiça humana, mas não escaparão do império das leis naturais da causa e do efeito.

Estamos, meus amigos, numa virada de século. Não cremos que o nosso mundo vai acabar, mas, cremos que irão se acabar os males e os crimes que nos afligem, porque as Luzes que nos cercam não terão tão fortes grilhões e fatalmente terão que suplantar as trevas.

E, o grande recurso que temos em mãos, induvidosamente, é a abençoada Educação. Eduquemos e transformemos os espinhos do caminho em pétalas floridas balsamizadas.

Lembremo-nos da recomendação da Célebre Educadora Inglesa - Eliza Cook:

"Better build Schoolrooms for the boy, than cells and gibbets for the man".

Sim, meus amigos, através da educação, o nosso pão amargo de hoje, por certo, será o pão doce do amanhã.

(Jornal Verdade e Luz Nº 178 de Novembro de 2000)