O Bem

Leda de Almeida Rezende Ebner

de Ribeirão Preto, SP

Gostamos de repetir que Deus e Jesus não esperam que nos tornemos anjos em uma só existência ou mesmo em algumas. Nosso processo evolutivo é muito longo, mesmo considerando-o a partir do momento em que nos tornamos Espíritos, com consciência e livre-arbítrio, no desenvolvimento da inteligência e do sentimento.

Muito já desenvolvemos no campo intelectual. Estamos bem atrás no aspecto dos sentimentos e da moral.

Hoje, com o conhecimento que a doutrina espírita nos proporciona a respeito dos seres, da vida, das leis naturais, nossos objetivos transformaram-se e desejamos desenvolver o potencial divino, que trazemos em nós, numa pressa, muitas vezes angustiosa.

Todavia, o autodesenvolvimento, a auto-educação é um processo longo e difícil, principalmente, para nós habitantes da Terra, com mais atração para o mal, pois, até há pouco tempo, víamos a felicidade no orgulho, no egoísmo, no poder e na glória humanos.

Na Terra, quando nos abrimos para o valor do Bem, da sua necessidade para a paz e a felicidade dos homens e das nações, precisamos de tempo para entendê-lo, para desenvolvê-lo, no profundo de nós mesmos.

Precisamos pois, do esforço determinado e perseverante no exercício do Bem, com raciocínios e boa vontade para que o Bem cresça em nós, de tal forma, que se torne parte ativa de nós próprios.

Quando isso acontece, o Espírito não precisa mais do esforço dos raciocínios, do querer porque então, ele, o Bem, manifestar-se-á nos sentimentos, nas emoções, no pensamento e nos atos.

O Bem só estará desenvolvido em nós, quando o praticarmos, "instintivamente", sem mesmo dele termos consciência, expressando-o de forma natural, em todas as nossas atitudes e ações.

Até a conquista desse ideal de perfeição, ensinado e vivido por Jesus, nosso maior modelo, a luta conosco, não com os outros, é e será árdua; por isso, precisa ser reflexionado, constante, com muita disciplina, com confiança em Deus, que quer o melhor pra os seus filhos, com confiança em nós, que somos perfectíveis, capazes de transformamo-nos e atingir o determinismo divino da perfeição possível.

Jamais pensar: "Nasci assim, serei sempre assim." Não, somos hoje como nos fizemos em nossa caminhada evolutiva e, assim como desenvolvemos o egoísmo e o orgulho, origem de todos os vícios e males da humanidade, podemos também, desenvolver o Bem, que já existe em nosso "eu" espiritual.

Se olharmos nosso interior, com objetividade, procurando nos ver com clareza, como se fôssemos outra pessoa, veremos, ao lado das imperfeições, coisas boas que desenvolvemos, como por exemplo: amar algumas pessoas, do nosso modo, mas já sendo o amor crescendo em nós.

Somos capazes de alguns atos bons e nobres, em determinadas ocasiões, com determinadas pessoas. Precisamos torná-los cada vez mais freqüentes, em mais ocasiões, com mais pessoas.

Se já percebemos que queremos o Bem para nós, para os outros e para toda a humanidade; que a Terra pode torna-se um mundo melhor, com mais igualdade, tolerância, solidariedade, justiça, a tarefa do desenvolvimento do amor em nós e ao redor de nós, combatendo o mal, mas ajudando o maldoso, deve ser assumida por cada um, de forma determinada, urgente e perseverante.

Devemos lembrar porém, que os meios a serem usados nessa tarefa devem ser os do Bem, porque na moral de Jesus, o fim não justifica os meios. Se a finalidade é o Bem, os meios também têm que ser os do Bem.

Essa luta no desenvolvimento do Bem, que começa em nós, é uma tarefa solitária, quase sempre não percebida pelos próximos e que demora tempo para dar frutos.

Quanto maior for a dificuldade interna, por causa das próprias imperfeições e vícios desenvolvidos no decorrer de milênios, os resultados sentidos e percebidos pelo lutador, poderão nem mesmo ser notados pelos que com ele convivem. Humildade, paciência, compreensão e resignação serão exercitadas e a luta continuará sem preocupação com resultados exteriores, que surgirão um dia.

A certeza de que a vida é eterna, que o desenvolvimento do Bem, em nós, continuará no plano espiritual e em novas reencarnações, constituem um estímulo a perseverar nessa tarefa, para que o mal que criamos dentro de nós desapareça, libertando-nos para amar e servir, sentido, pensando e fazendo o Bem.

(Jornal Verdade e Luz Nº 185 de Junho de 2001)